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Escorpião

“Escorpião” é uma experiência visual com formato cinematográfico dentro da linguagem do teatro. Esgarça o termo “aqui e agora” para algo parecido com “aqui / agora / antes / depois”. Os corpos são atravessados pelo passado dos personagens em tempo real, criando cruzamentos dentro das versões de um assassinato. O convite é de tentar desvendar esse suspense.

Focados na dimensão política da arte e no que ela pode contribuir para a construção de novas políticas de subjetivação, há 15 anos o grupo ATeliê VoadOR vai levando, aos palcos do Brasil e da América Latina, espetáculos que contribuem para quebrar a “anestesia da vulnerabilidade ao outro”. É nesse diapasão que a escolha de “Escorpião” parece mais do que oportuna em tempos de muitos ataques à liberdade de expressão e uma vasta ignorância em relação às formas disruptivas da arte falar de comportamentos, crenças, valores.

O autor paulista Felipe Greco, eminente cronista de seu país e de seu tempo, devora e devolve em forma de teatro escritores como Jean Genet, Plínio Marcos e Néstor Perlongher. Numa cidade desvairada, sob o império profundo do desejo, a encenação vai revelando recortes malditos de sujeitos marginalizados e abjetos, personagens que transitam incógnitos pelo submundo a vivenciar desejos e enfrentar dramas pessoais.

A encenação é claustrofóbica e expõe as personagens num espaço paradoxal, porque, enquanto claustro, também é zona de livre desejo, sempre à deriva, carregado de surpresas, mistérios, revelações e peripécias. Sensorial, esquadrinha toda a espacialidade do interior de uma “alcova” em detalhes sórdidos, aspectos estarrecedores que contribuem para a construção de um universo obscuro, mas de possibilidades, combinações e agenciamentos marcados por intensa subjetividade oriunda de sentimentos e sensações caros àquele desejo. Dicotômico, porque desconstrói o projeto de masculinidade da cultura brasileira ao nos apresentar a existência daqueles que, ultrapassando as fronteiras de suas masculinidades, se entregam (por vezes de modo “selvagem”) aos sentidos do prazer homoerótico.

Por fim, “Escorpião”, através de tensões/tesões de Boris e Edu, retoma muitos temas caros à política na cena teatral contemporânea e se concretiza como uma farsa de sujeitos que estabelecem entre si um jogo de ocultação/revelação do desejo, de uma intimidade negociada de maneira tão verossímil quanto fantástica. Peça para ser vista de um golpe só.

 

SERVIÇO

Escorpião

Quando:

26 a 28 de julho (sexta a domingo), 20h

1º a 4 de agosto (quinta a domingo), 20h

8 a 11 de agosto (quinta a domingo), 20h

15 a 17 de agosto (quinta a sábado), 20h

18 de agosto (domingo), 16h e 20h

Onde: Sala do Coro do Teatro Castro Alves

Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)

Classificação indicativa: 18 anos

 

VENDAS

Os ingressos para o espetáculo podem ser adquiridos na bilheteria do Teatro Castro Alves, nos SACs do Shopping Barra e do Shopping Bela Vista ou pelos canais da Ingresso Rápido. Acesse página de vendas em http://site.ingressorapido.com.br/tca.

 

MEIA ENTRADA

A concessão da meia-entrada é assegurada em 40% do total dos ingressos disponíveis para o evento.

Estejam atentos! O Teatro Castro Alves cumpre a Lei Federal 12.933 de 29/12/2013, que determina que a comprovação do benefício de meia-entrada é obrigatória para aqueles que gozam deste direito. Estudantes devem apresentar a Carteira de Identificação Estudantil (CIE), não sendo aceitos outros documentos.

Data: 01/08/2019 a 04/08/2019

Teatro Castro Alves - Praça Dois de Julho,s/n, Campo Grande, CEP 40080-121 - Salvador - Bahia - Brasil Telefone: (71) 4000-1139