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Balanço "TCA em Casa"

O ano de 2020 vai chegando ao fim tendo se inscrito na história da humanidade como um dos mais desafiadores para todas as sociedades. O impacto no setor cultural tem sido profundo. O planejamento anual do Teatro Castro Alves (TCA), de seus corpos artísticos – Balé Teatro Castro Alves (BTCA) e Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) – e de seu Centro Técnico precisou ser integralmente repensado e reformulado. O resultado foi uma jornada intensa de reflexão, aprendizado e muito trabalho. Novos talentos, capacidades e oportunidades foram descobertos e uma programação diária se conformou como o “TCA em Casa”, agenda online iniciada em março que manteve as atividades de difusão da arte e promoção do acesso aos seus produtos, de formação e qualificação, bem como de resgate de memórias e compartilhamento de informações. Como equipamento cultural público, o maior e mais importante da Bahia, o TCA encontrou soluções para cumprir com seus compromissos culturais e sociais. No total, mais de 150 mil pessoas acompanharam as ações realizadas.

Produção de máscaras de proteção – O Centro Técnico do TCA, setor dedicado à pesquisa, formação, qualificação, criação, produção, sistematização e difusão de informações sobre engenharia do espetáculo, reagiu com rapidez e acionou sua força produtiva para a confecção de máscaras de tecido de proteção individual, que foram distribuídas para instituições sociais de Salvador, bem como atendeu funcionários da casa e de outros órgãos do Governo. Com a determinação da obrigatoriedade de uso das máscaras em circulação externa e em ambientes de trabalho, conforme as Leis Estaduais 14.261 e 14.258, respectivamente, sancionadas no mês de abril pelo Governo da Bahia, a ideia foi de contribuir para que os cidadãos cumprissem esta medida fundamental para o enfrentamento à propagação da infecção pelo novo coronavírus. Mais de 3 mil unidades foram produzidas e doadas.

Domingo no TCA – Logo após os primeiros decretos das políticas de distanciamento social, a edição do Domingo do TCA que estava previamente agendada para o mês de março foi realizada através de exibição de conteúdo gravado, transferindo para a internet um dos principais projetos continuados da cultura do Estado, com o espetáculo teatral “Foi Por Esse Amor”, protagonizado pelos atores João Guisande e Antônio Roque. As edições voltaram a ser mensais, sempre no canal de YouTube do TCA, a partir de junho, com “40 em 40 – 40 anos em 40 minutos”, um conjunto de oito curtas-metragens, de cinco minutos cada, assinados por diferentes cineastas baianos, que contam a história do TCA no marco do que foi o seu aniversário de 40 anos. Em julho, foi vez do “CineConcerto”, projeto consagrado da Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) que tem como objetivo ampliar o público de música de concerto ao mostrar sua proximidade fundamental com o cinema. Em agosto, o Balé Teatro Castro Alves (BTCA) trouxe “Lub Dub”, estreado em 2017 e considerado um dos 10 espetáculos de dança fundamentais daquele ano pela revista Bravo!. Setembro foi mês de cinema com o filme “Saudade”, longa-metragem documental dirigido por Paulo Caldas que busca entender o significado desta palavra portuguesa dita “intraduzível”. “A História do Soldado”, criação conjunta do BTCA e da OSBA que revive a obra da composição do russo Igor Stravinsky (1882-1971), a partir de texto do suíço Charles-Ferdinand Ramuz (1878-1947), foi a atração de outubro. Em novembro, Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz ofereceram registro em vídeo de um concerto realizado na Filadélfia, no Temple University Performing Arts Center (TPAC). Para fechar, em dezembro, foi disponibilizada a íntegra do concerto “Natal na Espanha”, da OSBA, realizado para uma plateia lotada na Concha Acústica do TCA no ano passado. Na soma, o Domingo no TCA contabilizou mais de 13 mil visualizações em suas oito edições virtuais.

Conversas Plugadas – O projeto “Conversas Plugadas”, que desde 2007 proporciona contato com nomes de excelência dos diversos campos artísticos, também passou a ter edições virtuais, em lives na página de Instagram do TCA. Em junho, o ator, diretor e produtor Jorge Vermelho, que dirigiu o Balé Teatro Castro Alves (BTCA) entre 2009 e 2014, foi mediado pelo atual diretor artístico do BTCA, Wanderley Meira. Em julho, foram duas edições: a primeira com a gestora cultural, pesquisadora e consultora Beth Ponte, que conversou ao vivo com Moacyr Gramacho, diretor geral do TCA, e Rose Lima, diretora artística do TCA; na segunda, o cenógrafo e figurinista Marcio Medina bateu papo com o diretor e dramaturgo Gil Vicente Tavares. Já em agosto, a bailarina Fátima Suarez participou de encontro mediado por Lilian Pereira, integrante do BTCA. Em setembro, a produtora cultural Virgínia Da Rin foi entrevistada por Alice Becker, também do BTCA. Fechando a lista, em novembro, Vavá Botelho e Zebrinha, nomes que respondem pelo Balé Folclórico da Bahia (BFB), conversaram com Wanderley Meira e Luiza Meireles, respectivamente diretor artístico e bailarina do BTCA, num encontro agora já transmitido diretamente da Sala do Coro do TCA. Mais de 3.800 pessoas acompanharam estes seis bate-papos.

Terça da Música – Desde a abertura da Nova Sala do Coro do TCA, em julho de 2018, o espaço estabeleceu uma importante e diversa agenda de shows musicais neste palco, às terças-feiras, com o selo de “Terça da Música”. Criando uma tradição de assistir neste dia a apresentações de artistas e bandas da Bahia e do Brasil, uma mostra da produção da música contemporânea nacional, em variados estilos, foi sendo composta por meio da “Convocatória para Ocupação de Pauta da Sala do Coro do TCA”, lançada semestralmente. Dezenas de espetáculos se realizaram neste formato e foram rememorados no “TCA em Casa”, através da exibição, no canal de YouTube do TCA, de registros audiovisuais variados, de gravações ao vivo, videoclipes ou também dos shows filmados na Sala do Coro. Também participaram artistas que tiveram seus shows adiados por conta da pandemia. Trinta artistas, duos e bandas incluíram seus nomes, de junho a dezembro, atraindo um total de 11 mil visualizações: Josyara, Livia Nery, Eric Assmar, Igor Gnomo Group, Marcia Castro, Talita Avelino, Jó, Jonga Lima, Paquito, Ronei Jorge, Aline Falcão e Rodrigo Heringer, Bruna Barreto e Filipe Lorenzo, Ana Paula Albuquerque, Manuela Rodrigues, CAIM, LIA, Aiace, Pirombeira, Juliana Ribeiro, Lia Lordelo, Amaro Freitas, Baixo e Fêmea – Luciano Calazans e Tais Nader, Letieres Leite Quinteto, Morgana Nascimento & Marcelo Rosário, Grupo Vivavós, Ayá, Caru, Ju Moraes, Ramon Cruz e nana.

Ficha Técnica – Nos bastidores do Complexo do Teatro Castro Alves (TCA), centenas de servidores públicos atuam nas mais diversas funções para manter atividades que se desenvolvem 365 dias por ano. Compartilhar toda a operação por trás das cortinas – que vai da direção geral às práticas artísticas, do administrativo ao financeiro, da gestão de corpos artísticos à comunicação, de toda produção no Centro Técnico à coordenação de três palcos, da arquitetura ao jurídico, do planejamento ao registro da memória, englobando uma seriada rede de tarefas correlatas – foi o objetivo do projeto “Ficha Técnica”, uma série de lives exibidas na página de Instagram do TCA, às segundas-feiras, de junho a setembro. Foram quinze duplas de servidores revelando suas práticas em conversas que mobilizaram uma audiência total de 11,7 mil pessoas.

TCA de Braços Abertos – Assim como ocorre na ocupação dos palcos do TCA, o “TCA de Braços Abertos” abriu espaço de seus canais digitais para exibir, no canal de YouTube, três episódios inéditos do projeto “Loucura Pouca É Bobagem”, que vem promovendo, desde 2017, encontros para conversas sobre a loucura na arte, na política, no amor, no movimento permanente da vida. Com roteiro de Luciana Queiroz, Priscilla Andreata e Thaís Alves, o “Loucura Pouca É Bobagem” teve como convidados, na primeira edição, os cantores e compositores Dão e Josyara, a atriz e gestora cultural Maria Marighella e a diretora artística do TCA, Rose Lima; na segunda, foram a atriz Cyria Coentro, o jornalista, escritor e ex-deputado federal Jean Wyllys e a jornalista e apresentadora Rita Batista; e na terceira, o músico Armandinho Macêdo, a professora de filosofia e poetisa Lúcia Helena Galvão, o psicanalista e psiquiatra Marcelo Veras e a cantora Márcia Short. No total, foram 1,2 mil visualizações.

Cursos de Música do TCA na Quarentena – O TCA transferiu para o ambiente digital três cursos que adentram o universo da música sinfônica e que já compunham as suas atividades presenciais. Ao lado do Centro de Formação em Artes (CFA) da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), foram oferecidas três edições regulares, com aulas realizadas através da ferramenta Zoom Meeting, das turmas “A linguagem musical da orquestra sinfônica”, com Alexandre Loureiro; “Grandes compositores da música clássica”, com Karina Martins Seixas; e “Iniciação a flauta doce”, com Uibitu Smetak, todos músicos vinculados à Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA). Foram atendidos 735 alunos de toda a Bahia e outros estados do Brasil.

Um Concerto para o Guarda-Roupa – O TCA reuniu e exibiu toda a sua potência na grande produção especial “Um Concerto para o Guarda-Roupa”, registrado em vídeo. Seus dois corpos artísticos, o Balé Teatro Castro Alves (BTCA) e a Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA), fazem uma performance especial na maior sala de espetáculos da Bahia, a Sala Principal do TCA, para uma plateia formada por figurinos do Guarda-Roupa do Centro Técnico do TCA, ocupando as 1.554 poltronas de sua plateia. Uma metáfora de saudade, marcando poeticamente o desejo de rever e reverenciar o público, além de homenageando a classe artística. O material – que obteve importante repercussão na imprensa nacional, tendo sido exibido em programas jornalísticos e de variedades, como o Jornal Nacional e Fantástico (Rede Globo) e Saia Justa (GNT) – está disponível no canal de YouTube do TCA e já foi assistido, apenas ali, por mais de 32 mil pessoas.

Voltando aos Palcos – Durante dois meses e meio, o projeto “Voltando aos Palcos” fez o marco da retomada de uso dos palcos do TCA após a suspensão de atividades imposta pela pandemia da Covid-19. A Nova Sala do Coro do TCA foi o espaço acolhedor deste primeiro passo, com artistas em cena e plateias à distância. Doze sessões semanais às sextas-feiras, em espetáculos realizados e transmitidos ao vivo, alcançaram um público de mais de 20 mil pessoas apenas no canal de YouTube do TCA – sem contar toda a audiência da TVE Bahia e da 107.5 Educadora FM Bahia, que foram também canais de veiculação em tempo real. Na programação, que perdurou de 25 de setembro a 11 de dezembro, shows exclusivos de Lazzo Matumbi, Leo Cavalcanti, Nara Couto, Marcia Castro, Majur e Jarbas Bittencourt se revezaram com seis montagens inéditas dos dois corpos artísticos do TCA: o Balé Teatro Castro Alves (BTCA) e a Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA). Todas as apresentações podem ser conferidas em www.youtube.com/teatrocastroalvesoficial, onde os vídeos permanecem disponíveis.

Balé Teatro Castro Alves (BTCA) – Em 2021, o BTCA completará 40 anos e o aquecimento para esta data ocorreria com uma proposta criativa de retorno ao seu centro, sua cidade, sua história. Ainda que o projeto inicial não tenha sido implementado, a proposição foi posta em prática e expandida. De cara, em abril, Mês Internacional da Dança, foi lançado o “#BTCAplay”, que resgatou e exibiu na internet coreografias e videodanças do vasto repertório da companhia em seu canal de YouTube, às quartas e sextas-feiras daquele mês, alcançando uma audiência de 2 mil visualizações. Outras duas edições especiais do projeto foram realizadas: em junho, em torno do repertório de “Gretas do Tempo”, e em setembro, com “Voyeur do movimento: uma exposição de dança”, somando novas 2 mil visualizações.

As tradicionais aulas abertas do BTCA também tomaram a virtualidade. Ministradas pelos dançarinos da companhia, foram regularmente oferecidas turmas de Balé Clássico, Pilates e Dança Contemporânea, de segunda a quinta, voltadas a pequenos grupos de pessoas com experiência intermediária ou avançada em dança, além de grandes aulões públicos em lives às sextas-feiras. Para completar, o “BTCA Movimenta Home Office” promoveu prática de alongamento semanal, nas segundas-feiras.  Mais de 8 mil pessoas participaram destas atividades entre maio e novembro.

Mantendo linhas de criação, no projeto “Solos de Estar”, os bailarinos, na situação de isolamento em suas casas, se debruçaram sobre os enfrentamentos humanos da necessidade de viverem com mais intensidade as suas próprias vidas íntimas para desenvolver trabalhos autorais autobiográficos ou fictícios. As cenas se utilizaram de recursos do próprio ambiente doméstico para sua composição. E em “Ponto de Vista”, foram exibidas performances de dançarinos na relação com o entorno de seus locais de quarentena: visões soteropolitanas se misturam aos próprios elementos domésticos para compor cenários em que seus corpos expressam o contato com o exterior que os rodeia. Sete criações surgiram neste contexto e mobilizaram uma audiência de 3,5 mil pessoas.

Numa frente de reflexão e intercâmbios, a série “Bate-papo dos Pés à Cabeça” colocou os bailarinos do BTCA em oito conversas ao vivo com convidados especiais: agentes de diversas áreas escolhidos por eles próprios, elaborando uma atividade de formação que, ao mesmo tempo, visava à promoção da dança e também dos artistas da dança. E enquanto os encontros físicos não poderiam acontecer, o BTCA os promoveu em ambiente virtual: no “BTCA Encontros”, trocas com grupos do Brasil – Cisne Negro Cia. de Dança (SP), Giro8 Cia. de Dança (GO), Balé Folclórico da Bahia (BA) e Balé da Cidade de Teresina (PI) – mantiveram a importância de intercâmbios, mesmo que a distância. Nestas parcerias, foram realizadas aulas e práticas de compartilhamento de conhecimentos, abertas ao público.

Fechando o ano, em dezembro, foram oferecidas atividades especiais: as vivências virtuais “Do mundo das divindades às danças afro-brasileiras” e oficinas continuadas de balé clássico.

Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) – O “#OSBAFlix – Especial Quarentena”, lançado em março, reuniu conteúdos da OSBA para que o público não apenas continuasse a ouvir música de concerto, mas também pudesse conhecer mais sobre este universo. Foram exibidas 24 edições de “Live Concerto” e “Live Instrumento”, com apresentações ao vivo, destacando a capacidade solista dos músicos. A série também promoveu sessões de “Live OSBA Talks”, bate-papos temáticos de algum músico da OSBA com uma personalidade convidada para falar de música; “Live Viagens Sinfônicas”, audições guiadas pelo maestro Carlos Prazeres de peças do repertório sinfônico; “OSBA Mix”, gravações em vídeo de músicos da OSBA do repertório de concerto e música popular e que possuiu também a versão “OSBA Mix Convida”, com a participação de músicos convidados; e “Abraço da OSBA”, com execução de uma música de artistas homenageados.

O “CineConcerto”, projeto mais popular da OSBA, não deixou de acontecer: 40 músicos usaram a criatividade para gravar vídeos em casa tocando trilhas de música de cinema, sem deixar a fantasia típica de lado. E o “São João Sinfônico” foi um absoluto sucesso, com participações de Gilberto Gil, Geraldo Azevedo, Bule-Bule, João Cavalcanti, Mariana Aydar e Marcelo Caldi, obtendo mais de 37 mil visualizações.

O projeto “Cameratas da OSBA”, formado pelos grupos Opus Lumen, Bahia Cordas, Quarteto Novo e Quadro Solar, retornou as atividades em maio através de duas ações na web, que tiveram oito edições mensais. Foram lançados o “Cartografia Afetiva”, vídeo-relato dos músicos relembrando experiências marcantes em apresentações das Cameratas, e “Café com as Cameratas #Drops”, vídeo no qual uma camerata interpreta peça sinfônica. Os vídeos foram exibidos em perfis de Instagram da OSBA e do TCA, além de em canais de instituições parceiras que já receberam apresentações das Cameratas nos últimos anos. Ainda dos projetos de extensão, o Cineclube OSBA e as Oficinas de Prática Musical foram adaptados para o universo digital.

Já a Academia Virtual da OSBA permitiu a contribuição para a formação de novos músicos de orquestra. Aulas de 14 modalidades de instrumento e 13 masterclasses públicas se desenvolveram durantes três meses.

O “OSBA em Casa Virtual” foi o retorno ao encontro entre os músicos – ainda que mantendo-se distantes e separados por anteparos de acrílico. Assim, as produções voltaram a ser gravadas em casa, no palco da Sala Principal do TCA, para veiculação na internet. Foi este o formato, por exemplo, do “Concerto de Especial de Aniversário”, festejando os 38 anos da OSBA, e do “OSBATALÁ”, em celebração ao Dia Nacional da Consciência Negra.

Teatro Castro Alves - Praça Dois de Julho,s/n, Campo Grande, CEP 40080-121 - Salvador - Bahia - Brasil Telefone: (71) 4000-1139